
Bernardo já veio ao mundo sobredotado. O seu corpo recém-nascido pesou sete quilos e duzentas e a pilinha dependurada levou uma enfermeira divorciada a pedir à mãe do Bernardo o seu número de telemóvel, com a desculpa esfarrapada de que era para acompanhar o desenvolvimento psico-motor da criança. Mas para além do excesso de peso e da extensão fálica, Bernardo cedo mostrou excepcionalidade noutras áreas, e na aurora dos seus dois anitos, convocou uma reunião de família para anunciar que queria ser físico nuclear e estudar nos Estados Unidos, nem que para isso tivesse de aplicar as economias dos pais num negócio de alto risco ou até candidatar-se a uma câmara municipal e negociar posteriormente com construtores civis. Os pais de Bernardo perceberam logo ali que tinham um filho especial e muito inteligente. E mais convencidos ficaram quando Bernardo, na celebração do seu quinto aniversário, escreveu uma carta ao director de finanças a propor a denúncia dos crimes fiscais do pai em troca de uma cópia de uma aplicação informática evoluída. O director das finanças não gostou da brincadeira, mas não foi por isso que deixou de confiscar alguns bens ao pai de Bernardo e fazer com que o mesmo Bernardo fosse o único sobredotado da margem sul a perder todos os dentes da frente tão prematuramente.
Desdentado mas tenaz, Bernardo viu a sua anterior corpulência e protuberância ser ultrapassada pela agilidade mental, a tal ponto de por volta dos dez anos se mostrar franzino e miúdo de artilharia, comparado com os colegas, mas incomensuravelmente mais esperto, o que lhe acalentou fundadas expectativas de um ajuste dentário com o pai em forma de acidente doméstico, e de um ajuste primata com o pai em forma de lhe papar a amante que ele tinha alugado num site de acompanhantes brasileiras. Diríamos, portanto, que Bernardo caíra na tentação de pôr a sua capacidade intelectual ao serviço da vingança mesquinha. E não tardou o dia em que o amaldiçoado pai veria o seu rebento de doze anos empoleirado ruidosamente na garupa da Dulcineia, três segundos antes do buraco da fechadura se ter transformado num embate de marreta angariador de todos os incisivos e mais alguns molares pelo caminho.
Porém, a vingança não foi consumada na plenitude. O pai ganhou platina nos maxilares, é certo, mas Dulcineia permaneceu com o número de setenta e três fornicadores que já tinha antes da tentativa do imberbe Bernardo. Foi enguiço previamente encomendado pelo cabrão do pai, pensou o pobre rapaz, ou não seria de admitir que, de tão devastadoramente inteligente, estivesse condenado ao atrofio da função sexual? Pelo sim pelo não, Bernardo arranjou maneira de acidentalmente regar o pai e a puta da Dulcineia com ácido clorídrico, antes de consultar um especialista em macumbices e um gay experiente que ensinava o evangelho, não fosse o caso de ser paneleiro. Mas o bruxo considerou-o imune e o padreco não se sentiu excitado, o que era motivo bastante de despreocupação. Todavia, o problema subsistia, pelo menos até novo empreendimento.
E havia de ser a Tatiana, empregada de limpeza ucraniana e prestadora de serviços delicados ao desfigurado pai do Bernardo, a ser chamada à prova de fogo. Nesta altura, Bernardo já tinha entrado nas catorze primaveras, já fazia o professor de matemática parecer um retardado, e já tinha o aparelho genital na forma adulta. Mas nada, Tatiana sentiu-se ofendida no seu brio profissional, e Bernardo, destroçado de frustração, não conseguiu isentar totalmente de culpa o pai, o que acabou por trazer a consequência de prostrar acidentalmente o progenitor numa cadeira de rodas. Tatiana não ficou com o cu em melhor estado, após o acidental recrutamento de um gang negro de Corroios.
Bernardo parou um bocadinho para pensar e facilmente descobriu que estava aí o busílis da coisa. Bernardo pensava demais, pensava em tudo excessivamente, e isso paralisava a sua virilidade e prendia-lhe os movimentos. Pensava na composição química dos sucos, pensava nas leis físicas da gravidade, da inércia e do atrito e outras tretas tais, sempre que o corpo da parceira se encontrava à disposição. Mas Bernardo era de grande tenacidade, como já referi, e, como acontece a tantos desgraçados, pôs a sua felicidade sexual à frente de uma promissora carreira de académico, gestor ou negociante de armas. Por isso, atirou-se de cabeça de um terceiro andar e, um mês volvido do coma, já consegue somar dois mais dois à terceira tentativa, enquanto satisfaz pessoas exigentes ao domicílio, sem pensar sequer se são mulheres ou outra coisa qualquer.
6 comentários:
as imcompatibilidades sempre presentes entre sobredotados e super-dotados ... há que escolher a cabeça a seguir ...
ahhh ... esquecia-me de dizer ... está excelente !
Obrigado querido nórdico... os homens que vêm do frio sabem sempre apreciar-me... deve ser pela diferença de temperaturas...
adorei este blog parabens,
nao te suicides ja,eh he eh eh....
querida dina,
obrigado pelas tuas palavras de ânimo... e atendendo a elas não me suicido já..
...ó Loira, não te atrevas a suicidar sem autografar o meu book. Ouviste?!?
Não consigo falar com as minhas connections aí de Beja e já estive mais longe de arrancar para aí...
Bjs pa'ti Loira ;)
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